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Reptile

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Às vezes, a realidade como metáfora

«Há uma eternidade que estou nesta trincheira. Uma tal eternidade que os meus sentidos se extinguiram em mim um após outro, que me tornei um pedaço de natureza que se perde no oceano da noite. Intermitente, um pensamento acende-me no cérebro um elo de luzes e refaz de mim, por um curto lapso de tempo, um ser consciente.»
Ernst Jünger, A Guerra Como Experiência Interior Edição: Ulisseia Tradução: Armando Costa e Silva

Battles

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Nostalgia incurável

CLASSIFICADO
NOSTALGIA INCURÁVEL
«Troco urgentemente, mesmo com sobretaxas, a minha casa num quinto andar, T1, com alcova, cozinha equipada, vista para as colinas de Sas, situada na Praça de Joliot Curie, por uma casa no quinto andar, T1, com alcova, cozinha equipada, vista para as colinas de Sas, situada na Praça de Joliot Curie.»
István Örkény, Histórias de 1 minuto, vol. 1 Edição: Cavalo de Ferro Introdução, selecção e tradução: Piroska Felkai

Quando a realidade assombra a imaginação

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Roubado daqui.

Do riso

«O avarento, um eterno receoso, não consegue rir. Um filósofo sábio, que desdenha constantemente de si próprio e dos outros homens, não consegue rir. O que vê ele no encantador trecho do despique entre Falstaff e o príncipe Henri? Um puro erro, cometido pelo vil interesse do dinheiro, mais uma miséria da pobre natureza humana. Em vez de rir, faz um esgar triste. A nação francesa é vivaz, frívola, eminentemente vaidosa, sobretudo os gascões e as gentes do Sul. Esta nação parece ter sido criada propositadamente para o riso, ao invés da Itália, uma nação apaixonada, sempre arrebatada por ódios ou amores, onde o riso não tem importância.»

Stendhal, Do Riso, Um Ensaio Filosófico Sobre Um Tema Difícil
Edição: Europa-América
Tradução: Carlos Pestana Nunes

O conto, segundo Kjell Askildsen

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Frases que produzem ressonância

«Sou um pessimista com uma inclinação sentimental para a esperança.»
Orson Welles

Os muros e as cortinas

«Um mundo sem muros, sem cortinas, não é credível. Porque não há mundo sem medos. Os muros, as cortinas, são arquitectura do medo. E o medo somos nós.»
Sandro William Junqueira, Um Piano Para Cavalos Altos Edição: Caminho

O coelhito

«Ao passar pelo terceiro andar, o coelhito movia-se na minha mão aberta. Sara esperava em cima, para me ajudar a tirar as malas... Como explicar-lhe que um capricho, uma loja de animais? Embrulhei o coelhito no lenço, meti-o no bolso do sobretudo, deixando o sobretudo desapertado para não o sufocar. Mal se movia. A sua reduzida consciência devia estar a revelar-lhe os factos importantes: que a vida é um movimento para cima com um clique final, e que é também um céu baixo, branco, envolvente e a cheirar a lavanda, no fundo dum poço morno.»
Julio Cortázar, O Bestiário Edição: D. Quixote
Tradução: Joaquim Pais de Brito

Magic Doors

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Um Piano Para Cavalos Altos

«O Director baixa a cabeça. Atenta ao pénis encolhido. Sacode a coisa morta na esperança de que ressuscite. Nada. O urinol de cerâmica, preso à parede, de boca aberta, expectante, olha para ele. Parece rir da sua condição de mau urinador. O Director deixa cair as pálpebras: a nervosa e a obediente. E concentra-se. Se aquele coxo conseguiu, eu também. Fecha o olhar para falar com o não-visível. Implora à carne clemência com a voz do cérebro. Como se a carne fosse um Deus ouvinte e tolerante na recompensa daqueles que professam a sua lei. Com a voz do cérebro, o Director solicita:
Por favor, deixa-me mijar.
Cedo percebe o ridículo do pedido. Mas, o desespero leva-o à insensatez. Quem é que conhece a carne, o corpo? Quem é que manda na carne, no corpo? Não era o Director que mandava no cérebro. Nem o cérebro ordenava na canalhada dos órgãos. Na carne, a alma não mete a colher, nem rapa o tacho. Se fosse a alma a mandar, seríamos imortais. Mas não, da carne o cérebro recebe queixas, emit…

Get The Blessing

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