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O aviso final de George Orwell

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Não há qualquer registo filmado de George Orwell, mas as palavras são suas, ipsis verbis.


Como um pássaro pendurado

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Retratos que se multiplicam

No regresso a casa, aperta as carnes e trinca os lábios. Perdeu a paciência para o próprio corpo, o que equivale a dizer que perdeu a paciência para o próprio íntimo. Como pode alguém viver nesse estado?, pensariam os seus conhecidos acaso existissem.

Os verdes anos de Ingmar Bergman

«Estou convencido de que, dos três filhos, fui eu quem sofreu menos porque me tornei um perito da mentira. Criei em mim uma outra pessoa que, exteriormente, nada tinha a ver com o meu verdadeiro eu. E como não fui capaz de manter separados o que eu era, propriamente, e a criação que fizera de mim, esta ferida teve consequências mesmo até na idade adulta e na minha criatividade. Quantas vezes não tive de me consolar com a máxima: "Quem viveu de uma mentira é porque, no fundo, ama a verdade".»
Ingmar Bergman, Lanterna Mágica Edição: Relógio d'Água Tradução e notas: Alexandre Pastor

Aquele que sempre me acompanha

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Imune a disposições, inclinações ou obsessões, eis o livro a que sempre regresso, como se no seu interior estivessem todos os outros.

Trabalhador in/de/pendente

Já gostei do meu país. Palavra de honra que sim. Mas desde que sou trabalhador independente, não consigo. E não ousem pedir-me para regressar a esse amor antigo.

A mão que alimenta

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1984

«Ele era um fantasma solitário dizendo uma verdade que nunca ninguém viria a ouvir. Mas enquanto a dissesse, a continuidade, de forma obscura, não seria quebrada. Não fazendo-se ouvir, mas mantendo-se mentalmente são, ele prolongava a herança humana. Voltou a sentar-se à mesa, molhou a caneta no tinteiro e escreveu:
Ao futuro ou ao passado, a um tempo em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros e não vivam sozinhos - a um tempo em que a verdade exista e o que for feito não possa ser desfeito: Da era da uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplopensar - eu vos saúdo!
Era um homem morto, pensou. Só agora, que começara a conseguir formular os seus pensamentos, lhe parecia ter dado o passo decisivo. As consequências de cada acto estão contidas no próprio acto. Escreveu:
O pensarcrime não provoca a morte: o pensarcrime é a morte.»
George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro Edição: Antígona Tradução: Ana Luísa Faria

Em modo letárgico

Como dizia Albert Cossery, quando tudo à volta ameaça desabar, sento-me calmamente a observar o mundo ruir.

Para ler e reler

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Para quem quer compreender como se faz prosa breve, eis uma incontornável referência.  Uma advertência, contudo, para os danos colaterais. O texto 21, por exemplo, tem ressonância perigosa. Acrescente-se apenas uma nota (que não é de somenos) relativamente à excelente tradução do Rui Manuel Amaral.

Reptile

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Às vezes, a realidade como metáfora

«Há uma eternidade que estou nesta trincheira. Uma tal eternidade que os meus sentidos se extinguiram em mim um após outro, que me tornei um pedaço de natureza que se perde no oceano da noite. Intermitente, um pensamento acende-me no cérebro um elo de luzes e refaz de mim, por um curto lapso de tempo, um ser consciente.»
Ernst Jünger, A Guerra Como Experiência Interior Edição: Ulisseia Tradução: Armando Costa e Silva

Battles

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