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O engano da identidade

Há quem repita mil vezes uma mentira para fugir da verdade e há quem repita mil vezes uma verdade para fugir da mentira.

Uma (quase) rima colérica

Tão bom quando um revisor nos arruina uma tradução.

O escritor e o fonógrafo

«O escritor está na situação de um mudo atado de mãos e pés, incumbido de pôr a funcionar um fonógrafo fazendo girar a manivela com o nariz.»
Boris Vian, Boris Vian por Boris Vian — Palavras e Aforismos Edição: Fenda Tradução: Sarah Adamopoulos

A partida e o regresso

O regresso é sempre mais fácil do que a partida. Não admira, pois, que muitos de nós optemos por ficar. Mas sem nunca experimentarmos a apaziguadora e reconfortante sensação do regresso.

Fumadores, esses criminosos

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Depois de um episódio passado hoje num café, lembrei-me desta crónica do Vasco Pulido Valente e resgatei-a. Como me soube bem o cigarro (ao ar livre) após as duas bestas equipadas a rigor para o seu jogging matinal se deram a conhecer como tal.



O universo é um ponto

Juan José Millás diz que o mundo é a rua da nossa infância. Muito antes, Tolstói dissera basicamente o mesmo, ao afirmar algo como: «se queres ser universal nunca deverás sair da aldeia onde nasceste.»
A minha rua era bizarra: havia crianças que queimavam ratazanas em fogueiras, a precocidade da sexualidade escandalizaria os mais liberais, as pedras contavam-se entre os brinquedos favoritos, morriam pessoas de mortes cruéis — da overdose ao suicídio. 
Assim sendo, que mundo é o meu?

Russell Edson procura-se

Se houver por aí alguém disposto a vender um livro de Russell Edson, por favor contacte-me por email. Os sites estrangeiros onde costumo comprar livros estão com atrasos históricos nos envios.
Que seja do meu conhecimento, em português apenas foi dado à estampa O Espelho Atormentado (há muito esgotado), mas, na verdade, tenho preferência pelas edições originais.
Obrigado.

A felicidade e o atraso

A felicidade dizia-lhe «Anda», mas quando ele chegava ao sítio ela já lá não estava. Dizia então de si para consigo: «A felicidade é um capricho da visão.» Mas não desistia.

Para Onde Vão os Guarda-Chuvas

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Este ano, depois de ter descoberto (tardiamente) Pedro Páramo, de Juan Rulfo, julgava que tudo quanto viesse a ler ficaria muito aquém. Engano meu — e ainda bem. É um prazer constatar como Afonso Cruz tem voado alto, à altura destes seus «guarda-chuvas».

O meu maior medo

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O combustível da criação

«[...] E nada nos identifica mais do que a ignorância daquilo que somos.»
Carlos Fuentes

Onde começa a felicidade, começa o silêncio

«Recriminam-se os escritores pela sua inclinação para abordarem temas sombrios, tristes, dramáticos, sórdidos e nunca ou quase nunca felizes. Não creio que isso seja fruto de uma preferência, mas da impossibilidade de contornar um obstáculo. Sucede que a felicidade é indescritível, não de pode declinar a felicidade. É por isso que os contos populares e os contos para crianças — e inclusive os filmes americanos com happy end — acabam sempre com uma fórmula deste género: 'Casaram e foram muito felizes para sempre.' Ali o narrador detém-se, pois já não tem mais nada para dizer. Onde começa a felicidade, começa o silêncio.»
Julio Ramón Ribeyro, Prosas Apátridas Edição: Ahab Tradução: Tiago Szabo

Em modo furioso

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