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Porque a coragem também está na descida

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Kurt Vonnegut sobre como escrever um conto

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A Mecânica da Ficção

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Um livro obrigatório para quem quiser perceber os truques e as manhas da escrita literária. Inteligente, claro, simultaneamente erudito e pop, bem ao jeito de James Wood, afasta-se da escrita cinzenta do ensaio académico e assume-se como um texto pleno de cor e ritmo. E tudo está muito bem arrumado, com inúmeros exemplos que sustentam o que nele é descrito. Mas, talvez mais importante, é um livro que nunca se põe em bicos de pés. 
James Wood, A Mecânica da Ficção Tradução: Rogério Casanova Edição: Quetzal

Desencontro

O presente errado na altura certa. Eis um prenúncio.

Coisas de sublinhar

«A happy man has no past, while an unhappy man has nothing else.»
Richard Flanagan, The Narrow Road to the Deep North

A sabedoria e a genealogia

Por mais sábio que sejas, serás sempre ignorante aos olhos dos teus pais.

A leitura e a indisciplina

Sou um leitor indisciplinado, desarrumado, caótico até. Daqueles a que os autores carregariam o cenho. (Pelo menos eu sentir-me-ia tentado a fazê-lo perante um leitor meu.)  Leio dezenas de livros em simultâneo, perco-lhes o fio, retomo-o, deixo-o em suspenso para me aventurar noutro e mais tarde regressar. Abro os livros a meio, deparo com uma frase feliz e dou por bem gastos os euros que me custaram. E aquele instante basta-me. No entanto, não é um instante que convide ao abandono, pelo contrário: permanece em movimento no espaço da cabeça, como um pensamento inacabado, à espera que a ele regresse. Mas é nesse caos, nessa imensa paisagem de personagens e estilos e tramas que me sinto em casa, um espião de coisas incompletas e transitórias. Afinal, não é isso a vida?  Como na rua, quando um rosto me prende, e logo a seguir um som se intromete, para instantes depois ser detido pelo diálogo amargurado de um casal. A vida em corrente ininterrupta. Até descobrir aquele livro que me obri…

Aquelas coisas tão certeiras

«[...] e que os filhos não morram mais cedo do que a morte bem velha, e que, acima de tudo, não sejam felizes antes do tempo, esse erro tão vulgar.»
Gonçalo M. Tavares, Os Velhos Também Querem Viver Edição: Caminho

Suspenso

Mil planos por sonhar. E a porta a fechar-se. Devagar.

O mundo sem pausas

Acordado em sono contínuo, a dormir em permanente vigília.  Entretanto, a biblioteca a crescer em altura, a fé de sucumbir ao seu peso, sem mais âncoras que não o aconchego dos mundos por viver a compasso da caligrafia que se desvenda a cada página.

And the prize for Worst Book Cover goes to...

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Ray Bradbury não merecia. Aliás, parece sina. Todas as capas das edições portuguesas dos livros de Ray Bradbury são de uma barbaridade a raiar a inverosimilhança. Aqui, sim, se justifica dizer «Don't judge a book by the cover». Ao que acrescentaria: «Burn it, Montag!»

Yes, Mr. Cohen

«Looks like freedom but it feels like death, it's something in between, I guess it's closing time.»

A comida e a mentira

Se olhares para o outro e lhe vires as mãos caídas no espaço entre garfadas, chegou a hora de fazer as malas e partir. Porque comer é o gesto primeiro e no gesto primeiro está sempre a verdade primeira, aquela que precede e comanda a segunda e a terceira e a quarta. Em suma, comer converte-se na porta que abre para o território da mentira.