Mensagens

Silêncio

Chiu. Ouve. Ouve como o mundo se cala.

Coetzee e o ciclismo (e eu)

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Aquele irresistível sorriso, tão íntimo quanto infantil, de saber que entre nós e as nossas principais referências há pontos comuns.

Hertzog, essa criatura tão íntima

«Agora escreveu: Não se trata daquela longa doença, a minha vida, mas daquela longa convalescença, a minha vida. A revisão liberal-burguesa, a ilusão do progresso, o veneno da esperança.»
Saul Bellow, Herzog Tradução: Salvato Telles de Menezes Edição: Quetzal

A força do punho

Não ouses desafiar-me, no meu punho está a força de mil lágrimas choradas. Corarás de vergonha quando a pele da minha mão cerrada esbarrar na tua pele fortalecida à custa de mil sorrisos. É que, como por certo já terás percebido, o músculo depende do sítio onde depositas as derrotas e elevas as glórias. Mas também não é caso para chorares. Pronto, cedo-te um sorriso, por caridade.

Da vida

Alguns nascem encontrados para depois se perderem, outros nascem perdidos para depois se encontrarem.  Falta, porém, o essencial: o que define cada um dos adjectivos?

Hospital

Não, não, está enganado. Não é a viagem. O verdadeiro observatório do mundo é a sala de espera nas urgências de um hospital.

Porque a coragem também está na descida

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Kurt Vonnegut sobre como escrever um conto

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A Mecânica da Ficção

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Um livro obrigatório para quem quiser perceber os truques e as manhas da escrita literária. Inteligente, claro, simultaneamente erudito e pop, bem ao jeito de James Wood, afasta-se da escrita cinzenta do ensaio académico e assume-se como um texto pleno de cor e ritmo. E tudo está muito bem arrumado, com inúmeros exemplos que sustentam o que nele é descrito. Mas, talvez mais importante, é um livro que nunca se põe em bicos de pés. 
James Wood, A Mecânica da Ficção Tradução: Rogério Casanova Edição: Quetzal

Desencontro

O presente errado na altura certa. Eis um prenúncio.

Coisas de sublinhar

«A happy man has no past, while an unhappy man has nothing else.»
Richard Flanagan, The Narrow Road to the Deep North

A sabedoria e a genealogia

Por mais sábio que sejas, serás sempre ignorante aos olhos dos teus pais.

A leitura e a indisciplina

Sou um leitor indisciplinado, desarrumado, caótico até. Daqueles a que os autores carregariam o cenho. (Pelo menos eu sentir-me-ia tentado a fazê-lo perante um leitor meu.)  Leio dezenas de livros em simultâneo, perco-lhes o fio, retomo-o, deixo-o em suspenso para me aventurar noutro e mais tarde regressar. Abro os livros a meio, deparo com uma frase feliz e dou por bem gastos os euros que me custaram. E aquele instante basta-me. No entanto, não é um instante que convide ao abandono, pelo contrário: permanece em movimento no espaço da cabeça, como um pensamento inacabado, à espera que a ele regresse. Mas é nesse caos, nessa imensa paisagem de personagens e estilos e tramas que me sinto em casa, um espião de coisas incompletas e transitórias. Afinal, não é isso a vida?  Como na rua, quando um rosto me prende, e logo a seguir um som se intromete, para instantes depois ser detido pelo diálogo amargurado de um casal. A vida em corrente ininterrupta. Até descobrir aquele livro que me obri…