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A escrita e a dança

Escrever é desafiar a doença, mas na escrita o desafio é dança, e quem dança abraça, e quem abraça chama, e quem chama apropria-se, e agora escrever é doença.

y a une distance à rêver entre la peau et l' éternité

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Alexandre Andrade — Quartos Alugados

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Numa altura em que abundam rasgados elogios à «nova geração» da literatura portuguesa (da qual — arrisco dizer — não sobreviverão mais de dois nomes), é com profundo agrado que assisto ao regresso de uma voz verdadeiramente singular.  Falo de Alexandre Andrade, e do seu Quartos Alugados, que viu a luz do dia graças à editora Exclamação e ao Rui Manuel Amaral, que coordena a colecção que o livro integra — a Avesso.   É coisa boa. Muito boa. Bem melhor do que por aí circula com pompa e circunstância, entre capelas e panelas. Tudo está muito bem medido e temperado, descolado de qualquer tendência que não a da verdade que o próprio autor define. E mesmo (ou será sobretudo?) aquilo que aparentemente poderá passar por pirueta não é senão um exercício de sátira.  Eis a proposta: Eu sei isto, sei como manipulá-lo, mas não quero fazê-lo, e, precisamente por isso, faço-o. Como resistir a semelhante provocação? 

Até ver, (de longe) o melhor livro que li em 2015

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Uma visão de existência (feliz?), por Walt Whitman

«Julgo que poderia mudar e viver com os animais, são tão plácidos e        tão independentes, Fico a olhar para eles um tempo infinito. Não se cansam nem se lastimam com a sua situação, Não ficam acordados na escuridão, nem choram os seus pecados, Não me enfadam com as suas discussões sobre os deveres para com        Deus, Nenhum se sente insatisfeito ou enlouquece com a obsessão de tudo        possuir, Nenhum se ajoelha perante outro, nem perante a sua espécie que        viveu há milhares de anos, Nenhum é respeitável ou infeliz à face da Terra.»
Walt Whitman, Folhas de Erva Tradução: Maria de Lourdes Guimarães Edição: Relógio D'Água

Uma prece de Flannery O'Connor

«Como é difícil manter uma dada intenção[,] uma dada postura em relação a uma obra [,] um dado tom[,] um dado seja o que for. Neste momento, sinto na minha alma uma certa paz que muito me agrada — não nos deixes cair em tentação. A qualidade das histórias é indiferente. Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Meu bom Deus, deixa-me trabalhar, obriga-me a trabalhar. Desejo tanto poder trabalhar. Se o meu pecado é a preguiça, quero ser capaz de o vencer.»
Flannery O'Connor, Um Diário de Preces Tradução: Paulo Faria Edição: Relógio D'Água

O erro do escritor

«Com a associação a estes homens adquiri um novo vício: um orgulho doentio e a convicção insana de que a minha vocação era ensinar pessoas sem saber o que ensinava. Agora, quando penso nesse período e no meu estado mental e no dos que me rodeavam (dá-se o acidente de hoje existirem aos milhares), sinto-me triste, péssimo, ridículo; e crescem em mim os mesmos sentimentos que por certo acometerão aqueles que se vêem internados numa casa de loucos.»
Nota: Em virtude da tradução pouco feliz que compromete o sentido original, atrevi-me a alterar alguns vocábulos e construções frásicas (procurando, no entanto, não mexer demasiado no trabalho da tradutora). 
Lev Tolstoi, Confissão Tradução do inglês (lamentavelmente torta, ao ponto da ininteligibilidade): Zélia Évora Edição: Alêtheia Editores

A caminho da eternidade e mais um dia

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Contagem

Mil mortes tem o homem. Antes da derradeira. 997, acaba ele de dizer.  Qual será a ordem da contagem?

A velocidade e o espaço

[...] Agora os dias passam depressa e as noites devagar e há menos tempo que lugar.
Manuel António Pina, «Como quem liberto de» Incluído em Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança

The Catcher in the Rye

«The mark of the immature man is that he wants to die nobly for a cause, while the mark of the mature man is that he wants to live humbly for one.»
J.D. Salinger, The Catcher in the Rye

The Night

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You're the night, Lilah, a little girl lost in the woods
You're a folk tale, the unexplainable

You're a bedtime story, the one that keeps the curtains closed
And I hope you're waiting for me, 'cause I can make it on my own
I can make it on my own

It's too dark to see the landmarks, and I don't want your good luck charms
I hope you're waiting for me across your carpet of stars

You're the night, Lilah, you're everything that we can see
Lilah, you're the possibility

You're the bedtime story, the one that keeps the curtains closed
And I hope you're waiting for me, 'cause I can make it on my own
I can make it on my own

Unknown the unlit world of old, you're the sounds I never heard before
Off the map where the wild things grow, another world outside my door

Here I stand I'm all alone, drive me down the pitch black road
Lilah, you're my only home and I can't make it on my own

You're the bedtime story, the one that keeps the curtain…

Terá Beckett razão?

Começo a perguntar-me se o importante é estar atento aos sobressaltos ou levar sempre na mão a terapêutica mala da cegueira.