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Q

Quando o pára-quedas está por um fio cansado, bastará a mais leve brisa. Quão violenta será a queda do que se julga em alto voo. Quão risível (e enternecedora) a máscara que dele se descolará.  Quase tanto como o rosto vazio que em vão desespero a tentará recuperar.

Chris Cornell (1964-2017)

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Há mortes que não deviam existir.  Por tudo quanto Chris Cornell significou nos meus verdes anos, por tudo quanto os Soundgarden me deram a ouvir, a saber e a ser, parte de mim também vai — colhida desse tempo fundamental que é o infinito jardim de possibilidades da tenra juventude. Estão a morrer-me tão depressa os que importam. Obrigado.

A elevação não é um escadote

Houve um tempo em que era assim: subir para ver as coisas de cima. A aspiração, porém, agora é outra: ver as coisas de baixo, de frente, dos lados, de dentro.  A subida é sempre um artifício, exercício ilusório em metal que não resiste à ferrugem do tempo.

I'll fight ya for it (Snatch)

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Teatro Vertical - novo livro em pré-venda

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Caros leitores,
Gostaria de partilhar convosco a publicação do meu novo livro, Teatro Vertical — o segundo volume da Colecção Pedante, dada à estampa pela SNOB e inaugurada por Virgilio Piñera.
Para além do texto, no livro encontrarão o singular traço do ilustrador Sebastião Peixoto, que aceitou a proposta por mim lançada.    
Durante 15 dias, contando a partir de hoje, o livro estará em pré-venda com desconto. Quem o comprar nesta fase por 12€, recebê-lo-á em casa sem custos adicionais e figurará — se for essa a sua vontade — na parte final do livro, dedicada aos agradecimentos, bastando para isso seguir as instruções que encontram no link em baixo:

https://pt-pt.facebook.com/livraria.snob/

Exercício

Fingir a cegueira enquanto o cortejo desfila. Tão sensato e apertado exercício.

Breathe

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O rectângulo de papel

Um homem que carregava nos olhos mil mortes. Aproximei-me. Não tive como o evitar. Olhei-o. Olhou-me. Disse-lhe: Sei bem o que está por trás. Ele disse: Isto? Apontava para um rectângulo de papel pousado atrás dos andrajos que se deitavam no passeio. Não falei. Não percebi. Falava-lhe das mil mortes atrás dos olhos. Olhou-me. Olhei-o. Ele disse: Agrada-te? Encolhi os ombros. Não percebi Apontou para o rectângulo de papel. Tinha muitas imagens. Rostos, percebi ao semicerrar os olhos. Afastei-me. Acelerei o passo à medida que me afastava. A cada passo um novo rosto do rectângulo. A cada novo rosto a consciência. Arrepio. Calafrio. Alguém me travou a marcha. Era uma mulher. Cara de rugas. Postura de estátua. Olhou-me. Disse-me: Sei bem o que está por trás. Arrepio. Calafrio. Com o dedo indicador desenhou no ar um rectângulo. Vários círculos dentro dele. Disse-me: As coisas que sempre foste mas nunca serás. Mil mortes atrás dos olhos passei a carregar.

Da espera

Socorre-te sempre dos sábios antigos: nunca esperes. Tudo quanto vier será vida, tudo quanto não vier será nada.

Princípio

Do mal do Homem poderia escrever mil prefácios, mil ensaios, mil epílogos. Mas por agora prefiro contemplar a última gota que cai da última folha verde daquela última árvore. Para ver como cai nas últimas costas que passam. Para que os meus olhos sejam a última testemunha do princípio.

Recensão à edição italiana de Caderno de Mentiras na INCIPTMAG

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Mil metros

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Virgilio Piñera, O Grande Baro e Outras Histórias Selecção e tradução: Rui Manuel Amaral Edição: Livraria Snob / Colecção Pedante

A Fábula de Daniil Kharms

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Em Três Horas Esquerdas
Tradução e apresentação: Júlio Henriques
Edição: FLOP