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Traduções exemplares #1

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Para quem tiver dificuldade em ler a última tradução, ei-la: Tastes traditional Portuguese

Sing me to sleep

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O motor dos maiores prodígios e das maiores desgraças

«Queridíssimo pai, Perguntaste-me, há pouco tempo, por que razão afirmo ter medo de ti. Como de costume, não soube responder; por um lado, precisamente pelo medo que tenho de ti, por outro, porque, na base deste medo, existem demasiados pormenores para que possa exprimi-los oralmente, de forma mais ou menos lógica. E se neste momento procuro responder-te por escrito será de forma bastante incompleta porque, também  por escrito, o medo e as suas consequências me tolhem diante de ti e porque, enfim, a importância do assunto ultrapassa, de longe, a minha memória e o meu entendimento.» Franz Kafka, Carta ao Pai Edição: Relógio D'Água Tradução: Maria Lin de Sousa Moniz

Para bom leitor, meio buraco basta

«Tudo o que podemos omitir, mas sabemos, continua a estar presente na nossa escrita, e a sua qualidade irá transparecer. Mas quando um escritor omite coisas que não sabe, estas surgem como buracos na sua escrita.» Ernest Hemingway, em entrevista à Paris Review , 1958.

Como ver-me em pequeno

«A sua mãe sonhava vê-lo [Robert Mapplethorpe] seguir para padre. Ele gostava de ser acólito do altar, mas apreciava isso mais por ter acesso aos sítios secretos, à sacristia, às câmaras interditas, pelas vestes e pelos rituais. Não tinha com a Igreja uma relação religiosa ou piedosa; era estética. A emoção da batalha entre o bem e o mal atraía-o, talvez por reflectir o seu conflito interior e revelar uma fronteira que ele poderia vir a ter de cruzar ainda. Apesar disso, na sua primeira comunhão, ficou muito orgulhoso por haver cumprido essa sagrada tarefa, regozijando-se por ser o centro das atenções. Ostentava um laço enorme baudelairiano e uma braçadeira idêntica à que fora usada por um muito provocante Arthur Rimbaud.» Patti Smith, Apenas Miúdos Edição: Quetzal Tradução e notas: Jorge Pereirinha Pires

O hábito faz o monstro

Em virtude da sua crescente marginalidade, a verdade acabará por ser empurrada para a categoria do defeito - afinal, os significados são reféns do nosso uso. Não nos espantemos se se franzirem os sobrolhos àqueles que praticam a verdade, ou se se lhes apontar o dedo na rua acaso essa propensão se torne pública. "Não lhe dês muita confiança. Ouvi dizer que passa a vida a dizer a verdade, e sabes bem os problemas que isso pode trazer."  Eis o que será dito. Depois, caberá ao tempo dar seguimento à ordem previsível (e natural?) das coisas. A verdade será isolada, sufocada, esquecida. Como os leprosos, ou os portadores da peste. 

Would you care to dance?

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