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Breathe

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O rectângulo de papel

Um homem que carregava nos olhos mil mortes. Aproximei-me. Não tive como o evitar. Olhei-o. Olhou-me. Disse-lhe: Sei bem o que está por trás. Ele disse: Isto? Apontava para um rectângulo de papel pousado atrás dos andrajos que se deitavam no passeio. Não falei. Não percebi. Falava-lhe das mil mortes atrás dos olhos. Olhou-me. Olhei-o. Ele disse: Agrada-te? Encolhi os ombros. Não percebi Apontou para o rectângulo de papel. Tinha muitas imagens. Rostos, percebi ao semicerrar os olhos. Afastei-me. Acelerei o passo à medida que me afastava. A cada passo um novo rosto do rectângulo. A cada novo rosto a consciência. Arrepio. Calafrio. Alguém me travou a marcha. Era uma mulher. Cara de rugas. Postura de estátua. Olhou-me. Disse-me: Sei bem o que está por trás. Arrepio. Calafrio. Com o dedo indicador desenhou no ar um rectângulo. Vários círculos dentro dele. Disse-me: As coisas que sempre foste mas nunca serás. Mil mortes atrás dos...

Da espera

Socorre-te sempre dos sábios antigos: nunca esperes. Tudo quanto vier será vida, tudo quanto não vier será nada.

Princípio

Do mal do Homem poderia escrever mil prefácios, mil ensaios, mil epílogos. Mas por agora prefiro contemplar a última gota que cai da última folha verde daquela última árvore. Para ver como cai nas últimas costas que passam. Para que os meus olhos sejam a última testemunha do princípio. 

Recensão à edição italiana de Caderno de Mentiras na INCIPTMAG

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Para ler tudo aqui: http://incipitmag.com/2017/03/20/rec-geom/

Mil metros

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Virgilio Piñera, O Grande Baro e Outras Histórias Selecção e tradução: Rui Manuel Amaral Edição: Livraria Snob / Colecção Pedante 

A Fábula de Daniil Kharms

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Em Três Horas Esquerdas Tradução e apresentação: Júlio Henriques Edição: FLOP