Mensagens

Da escrita

Da experiência colho esta certeza: mais do que as palavras escritas, importam aquelas que — por generosidade e respeito — foram amputadas ou mantidas em segredo.

Esquecer a tabuada, relembrar a descoberta

«Ao outro, a Borges, é que acontecem as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e demoro-me, talvez já mecanicamente, na contemplação do arco de um saguão e da cancela; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo o seu nome num trio de professores ou num dicionário biográfico. Agradam-me os relógios de areia, os mapas, a tipografia do século XVIII, as etimologias, o sabor do café e a prosa de Stevenson; o outro comunga dessas preferências, mas de um modo vaidoso que as converte em atributos de um actor. Seria exagerado afirmar que a nossa relação é hostil; eu vivo, eu deixo-me viver, para que Borges possa urdir a sua literatura, e essa literatura justifica-me. Não me custa confessar que conseguiu certas páginas válidas, mas essa páginas não me podem salvar, talvez porque o bom já não seja de alguém, nem sequer do outro, mas da linguagem ou da tradição. Quanto ao mais, estou destinado a perder-me definitivamente, e só algum instante de mim poderá sobreviver no outro. Pouco a pouco vou-lhe…

Ontem, Teatro Vertical na Flâneur

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Ao Arnaldo e à Cátia, a gratidão pelo convite e pelo acolhimento; ao Pedro Eiras, uma palavra de apreço pela leitura a fundo, a montante, a jusante, de todos os lados — e pela generosidade da partilha também; aos presentes, o agradecimento por estarem e se disporem a ouvir e a participar, fazendo do livro o que dele se espera — um organismo vivo.

Terminado um livro

Terminado um livro, não é o alívio que fica. É um chão de melaço onde os pés não avançam, tão presos que estão ainda ao que não foi sujeito ao último escrutínio da libertação. Até lá, a resistência a esta coisa que parece a angústia num aquário.

Teatro Vertical na Flâneur - com Pedro Eiras

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No próximo Sábado, às 17h, estarei na Livraria Flâneur à conversa com Pedro Eiras, numa apresentação informal de Teatro Vertical. Apareçam.


Ontem, o Teatro Vertical na Cossoul (Festival do Silêncio)

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A todos os presentes, muito obrigado. Ao Alexandre Andrade, a gratidão dos reptos múltiplos, do desafio, dos olhos que lêem com a precisão do microscópio e a amplitude do astro.

Teatro Vertical no Festival do Silêncio (Lisboa)

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O trigo e o joio

«Génio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonhos génios como eu, E a História não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
[...]
O mundo é para quem nasce para o conquistar E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.» «Tabacaria»Álvaro de Campos

Ontem, na Biblioteca Almeida Garrett

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Obrigado a todos quantos ontem marcaram presença na apresentação de Teatro Vertical, na Biblioteca Almeida Garrett. Obrigado também — e muito especialmente — ao Jorge Palinhos, leitor e interlocutor de suma inteligência, perspicácia e lucidez.

Teatro Vertical na Feira do Livro do Porto

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Coisas de sublinhar

«[...] ye walk on white snow where a nosebleed would disturbe the universe [...]»
Tarantula, Bob Dylan Edição: Harper Collins

Do estado actual das coisas

Nematomorfo: parasita que se aloja no interior do hospedeiro e se alimenta das paredes do seu corpo até atingir a idade adulta. Aí chegado, emerge do hospedeiro em zona próxima da água para prosseguir uma vida livre, induzindo aquele que lhe serviu de alimento ao suicídio.  

A Física e a moral

Foi à custa de prostituição repetida, mas não para pagar a renda nem para o pacote de leite chorado pelo filho com fome.  Foi pela vã glória de uma aparição que se pulverizou ao vento do tempo ou do gesto entediado. Por isso importam as notas de rodapé, que, tal como a vida, guardam nos caracteres pequenos as noções fundamentais. Nomeadamente esta: entre a Física e a moral são mais as pontes do que os muros.