Mensagens

Da condescendência parola (que persiste)

Um debate na televisão sobre um um jogo de futebol realizado no «norte do país» [sic (duplamente)].
Um dos intervenientes diz isto:
«Há que dar os parabéns ao norte pela sua capacidade de organização.»
Todos assentem.
No mesmo dia houve um acontecimento importante em Lisboa.
Do lugar e suas capacidades ninguém disse coisa alguma.
Continuo a olhar para o televisor sem saber o norte.


Dos que passam no tempo sem dele saberem

Reclamas a guerra como mote. Digo-te em resposta — esbarrando sereno na surdez que é origem e sintoma do ego chegado ao osso — que a guerra é sempre o passo em falso que estatela quem não sabe o tempo.

Da recusa

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Beckett revisitado

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Watt, Samuel Beckett
Edição: Assírio & Alvim
Tradução: Manuel Resende

Para arrumar a casa

Para arrumar a casa, criei um site. Ei-lo:

https://manuelalbertovieira.wixsite.com/autor

Mensagem ao burgo

Os escritores portugueses devem colocar-se e viver à margem, devem ser mais perigosos.

(Apropriação - e ligeira alteração - das palavras que Don DeLillo destinou aos autores americanos.)

Quando o Natal acerta nos substantivos

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Neste tempo postiço

Neste tempo postiço, quem não se prostitui é coisa inexistente. A coisa inexistente assiste: imagem pornográfica, slogan petulante, peito cheio e bazófia sonora. Mercado do peixe, mas versão chique — com toques de erudição saloia, para iludir as massas.  Neste tempo postiço, quem se dedica ao filme e não ao cartaz, arrisca nunca lhe saberem o guião. É coisa inexistente que assiste. Mas hoje assistir é o seu contrário: o silêncio é o som que acautela o estrépito de amanhã, que deixa o ruído aos cobardes com pavor da própria sombra. Neste tempo postiço, a resistência que altera o mundo está naquele que não quebra o pacto com a mudez.  Afinal de contas, contas feitas na matemática do mundo, convém que alguém fique de pé no meio das ruínas.

Mahmoud Darwich - Na Presença da Ausência

Rareiam as obras-primas. Proponho-vos uma, cuja tradução me coube em sorte. É uma verdadeira preciosidade de um autor praticamente ausente da nossa paisagem, mas cuja chegada — estou certo disso — lhe alargará os horizontes. Partilho convosco essa sorte. E exorto-vos a que a agarrem. 

Está disponível aqui:

http://www.flaneur.pt/produto/na-presenca-da-ausencia-pre-venda-com-oferta-de-postal/
https://pt-pt.facebook.com/flaneurlivros/

Aprender a Pensar na Era da Estupidez

Quando se julgava esgotado o catálogo de desacertos, eis a ideia peregrina do título póstumo.  Rir-te-ás algures, sábio e querido Borges, mas certamente não de felicidade.

Das visões

Um pensamento: A sombra é tão mais longa quanto mais alta a verticalidade.  Depois outro: Será por isso que te fogem do inquebrável pacto à nascença?  A seguir: Será essa a resposta para o mistério da solidão?  Depois: À semelhança da árvore, farás sombra? Por fim: És a árvore?

Dos Verões Férteis

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A vida de perfil

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«O Cavalo de Turim», de Béla Tarr