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A mostrar mensagens de Março, 2012

Traduções exemplares #1

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Para quem tiver dificuldade em ler a última tradução, ei-la:
Tastes traditional Portuguese

Sing me to sleep

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O motor dos maiores prodígios e das maiores desgraças

«Queridíssimo pai,
Perguntaste-me, há pouco tempo, por que razão afirmo ter medo de ti. Como de costume, não soube responder; por um lado, precisamente pelo medo que tenho de ti, por outro, porque, na base deste medo, existem demasiados pormenores para que possa exprimi-los oralmente, de forma mais ou menos lógica. E se neste momento procuro responder-te por escrito será de forma bastante incompleta porque, também  por escrito, o medo e as suas consequências me tolhem diante de ti e porque, enfim, a importância do assunto ultrapassa, de longe, a minha memória e o meu entendimento.»
Franz Kafka, Carta ao Pai Edição: Relógio D'Água Tradução: Maria Lin de Sousa Moniz

Para bom leitor, meio buraco basta

«Tudo o que podemos omitir, mas sabemos, continua a estar presente na nossa escrita, e a sua qualidade irá transparecer. Mas quando um escritor omite coisas que não sabe, estas surgem como buracos na sua escrita.»
Ernest Hemingway, em entrevista à Paris Review, 1958.

Como ver-me em pequeno

«A sua mãe sonhava vê-lo [Robert Mapplethorpe] seguir para padre. Ele gostava de ser acólito do altar, mas apreciava isso mais por ter acesso aos sítios secretos, à sacristia, às câmaras interditas, pelas vestes e pelos rituais. Não tinha com a Igreja uma relação religiosa ou piedosa; era estética. A emoção da batalha entre o bem e o mal atraía-o, talvez por reflectir o seu conflito interior e revelar uma fronteira que ele poderia vir a ter de cruzar ainda. Apesar disso, na sua primeira comunhão, ficou muito orgulhoso por haver cumprido essa sagrada tarefa, regozijando-se por ser o centro das atenções. Ostentava um laço enorme baudelairiano e uma braçadeira idêntica à que fora usada por um muito provocante Arthur Rimbaud.»
Patti Smith, Apenas Miúdos Edição: Quetzal Tradução e notas: Jorge Pereirinha Pires

O hábito faz o monstro

Em virtude da sua crescente marginalidade, a verdade acabará por ser empurrada para a categoria do defeito - afinal, os significados são reféns do nosso uso. Não nos espantemos se se franzirem os sobrolhos àqueles que praticam a verdade, ou se se lhes apontar o dedo na rua acaso essa propensão se torne pública. "Não lhe dês muita confiança. Ouvi dizer que passa a vida a dizer a verdade, e sabes bem os problemas que isso pode trazer."  Eis o que será dito. Depois, caberá ao tempo dar seguimento à ordem previsível (e natural?) das coisas. A verdade será isolada, sufocada, esquecida. Como os leprosos, ou os portadores da peste.

Would you care to dance?

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Significante, significado

«As palavras são símbolos que postulam uma memória partilhada. A que agora quero historiar é só minha; morreram os que a partilhavam.»

Jorge Luis Borges, O Livro de Areia
Edição: Quetzal
Tradução: António Sabler

Os livros e a física

Descobri recentemente que a principal qualidade que distingue um livro é a sua temperatura.

Dois barcos

Dois amigos, num comboio: - Que espécie de morte é essa em que embarcaste? - Que espécie de barco é esse onde vives? Fizeram o resto da viagem em silêncio. Acabavam de aprender o valor do respeito.

De olhos postos no tempo errado

«[...] Observa os indivíduos, considera a sociedade: todos vivem em função do amanhã! Não sabes que mal há nisto? O maior possível. Essa gente não vive, espera viver, e vai adiando tudo. Ainda que lhe déssemos toda a atenção, a vida ultrapassar-nos-ia; se andarmos assim à deriva, ela passa por nós como uma estranha; termina com o nosso último dia, mas vai-se quotidianamente perdendo.»
Lúcio Aneu Séneca, Cartas a Lucílio Edição: Fundação Calouste Gulbenkian Tradução, prefácio e notas: J. A. Segurado e Campos

Luiz Pacheco, o tradutor

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Da adoração/veneração e da liberdade

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Dúvida

Será mesmo verdade que a amizade pode prescindir da frequência? A sê-lo, qual o combustível que a mantém viva? As raízes criadas pela memória? E a subsequente admiração solitária dessas raízes? Talvez se trate, sobretudo, de uma questão de generosidade. O que me leva a concluir (porventura precipitadamente) que deverei repensar os meus valores. Ou não.

Dança na sala vermelha

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