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A mostrar mensagens de Agosto, 2012

Trabalhador in/de/pendente

Já gostei do meu país. Palavra de honra que sim. Mas desde que sou trabalhador independente, não consigo. E não ousem pedir-me para regressar a esse amor antigo.

A mão que alimenta

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1984

«Ele era um fantasma solitário dizendo uma verdade que nunca ninguém viria a ouvir. Mas enquanto a dissesse, a continuidade, de forma obscura, não seria quebrada. Não fazendo-se ouvir, mas mantendo-se mentalmente são, ele prolongava a herança humana. Voltou a sentar-se à mesa, molhou a caneta no tinteiro e escreveu:
Ao futuro ou ao passado, a um tempo em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros e não vivam sozinhos - a um tempo em que a verdade exista e o que for feito não possa ser desfeito: Da era da uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplopensar - eu vos saúdo!
Era um homem morto, pensou. Só agora, que começara a conseguir formular os seus pensamentos, lhe parecia ter dado o passo decisivo. As consequências de cada acto estão contidas no próprio acto. Escreveu:
O pensarcrime não provoca a morte: o pensarcrime é a morte.»
George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro Edição: Antígona Tradução: Ana Luísa Faria

Em modo letárgico

Como dizia Albert Cossery, quando tudo à volta ameaça desabar, sento-me calmamente a observar o mundo ruir.

Para ler e reler

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Para quem quer compreender como se faz prosa breve, eis uma incontornável referência.  Uma advertência, contudo, para os danos colaterais. O texto 21, por exemplo, tem ressonância perigosa. Acrescente-se apenas uma nota (que não é de somenos) relativamente à excelente tradução do Rui Manuel Amaral.