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A mostrar mensagens de Abril, 2017

Breathe

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O rectângulo de papel

Um homem que carregava nos olhos mil mortes. Aproximei-me. Não tive como o evitar. Olhei-o. Olhou-me. Disse-lhe: Sei bem o que está por trás. Ele disse: Isto? Apontava para um rectângulo de papel pousado atrás dos andrajos que se deitavam no passeio. Não falei. Não percebi. Falava-lhe das mil mortes atrás dos olhos. Olhou-me. Olhei-o. Ele disse: Agrada-te? Encolhi os ombros. Não percebi Apontou para o rectângulo de papel. Tinha muitas imagens. Rostos, percebi ao semicerrar os olhos. Afastei-me. Acelerei o passo à medida que me afastava. A cada passo um novo rosto do rectângulo. A cada novo rosto a consciência. Arrepio. Calafrio. Alguém me travou a marcha. Era uma mulher. Cara de rugas. Postura de estátua. Olhou-me. Disse-me: Sei bem o que está por trás. Arrepio. Calafrio. Com o dedo indicador desenhou no ar um rectângulo. Vários círculos dentro dele. Disse-me: As coisas que sempre foste mas nunca serás. Mil mortes atrás dos olhos passei a carregar.