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A mostrar mensagens de Setembro, 2011

Banda sonora #11

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O mestre das trevas iluminadas, ou do paraíso enegrecido.

Uma Viagem à Índia

Gonçalo M. Tavares figura novamente entre os dez finalistas do Prémio Portugal Telecom 2011. No entanto, tenho para mim que a «política da distribuição irmã» lhe vedará o prémio, o que, a meu ver, será uma tremenda injustiça. Já o ganhou com Jerusalém, e Aprender a Rezar na Era da Técnica merecia sorte igual. Mas assim não aconteceu. Como dificilmente acontecerá com o sublime Uma Viagem à Índia. É caso para dizer que, em democracia, a qualidade pode ser parente semântica do defeito.

Quando

Quando dar um livro por terminado. Eis a dúvida que não larga. Como uma doença, mas também como uma espécie de fé.

As horas

Um homem que caminha é agarrado pelo braço. Detém-se e atenta em quem o agarrou.     - As horas.     Espreita o relógio.     - Sete e meia.      O outro, ainda com a mão a envolver-lhe o braço, esboça um sorriso.    - Vejo que não me estou a fazer entender.    - Perguntou-me as horas. Como lhe disse, são sete e meia.    - Não - diz, abanando a cabeça. - Apenas disse «as horas».    O homem mantém-se calado por momentos. Entretanto, o braço começa a doer-lhe.    - Por que me agarra assim?     - Não faça perguntas. Limite-se a responder.    O outro faz que sim com a cabeça.    - Óptimo. Diga-me então as horas.    Não sabe o que dizer. Apenas conhece as horas do relógio, de modo que se fixa no homem com um olhar perdido.     - Diga-me as horas - insiste, cerrando os dentes e apertando o braço com mais força.     Permanece imóvel, sente medo.     - Que horas, senhor?     Subitamente, o homem que o agarra leva a mão esquerda ao interior do casaco e de lá saca um revólver.      - As horas que lhe resta…

Estratégia para o tempo (infância)

Trago sempre nos bolsos rebuçados de sobra porque não me trazem à memória o tempo ao contrário.

Fumo

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O muro de fumo que fendeu o mundo. E que ainda o contamina sem obedecer às leis da física.

Cinema #10

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Banda sonora #10

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Da perspectiva

«Sempre achei a lenda de Pandora incompreensível, até mesmo ridícula e absurda. Suspeito que o próprio Hesíodo a tenha entendido mal e distorcido o seu significado. Não eram todos os males, mas todas as coisas boas do mundo que Pandora tinha na sua caixa (como o seu nome já indica). Quando Epitemeu precipitadamente a abriu, as coisas boas escaparam-se e fugiram: apenas a Esperança se salvou e ainda continua connosco.»
Arthur Schopenhauer, Aforismos

A importância de certos jogos

O invejoso, com os seus modos de cordeiro, afasta-se para entrar no quarto. Aí, em sigilo, congemina planos idênticos aos de um peão num jogo de xadrez. Pequeno, limitado nos movimentos, quase passa despercebido enquanto aguarda o mais ínfimo espaço para avançar. E, quando chegar o momento certo, os seus aliados dar-lhe-ão ordens para matar. E ele não hesitará. Porque, como invejoso que é, aspira à altura daqueles que defronta.