Domingo de chuva. Rumores de criança. Ramos que se agitam na tela da janela. A respiração lenta no quarto ao lado. Braços que se abrem num corpo quieto, prestes a lançar-se do centro de um lugar sem margens.
Quando se julga extinto o ego, encarrega-se a ardilosa mente de te convencer de que hoje és a pior das criaturas — e de que amanhã serás, talvez, uma das mais elevadas. O sentido contrário à mentira está no repetido recuo ao lugar raso de todas as coisas.
Porque na verdade — e talvez seja essa a mais dura e resistente das constatações — a nossa importância não justifica uma microscópica parte das angústias que carregamos.